9.3.06

Nada como um bom boteco...


Entrei no boteco meio desanimada, confesso. Fim de Carnaval e o estômago doendo.
Cada vez que vou reparo uma coisa nova. Hoje achei uma lista, com cara de escalação, e mais, cara de ser original. Pode ser a escalação para o time infantil-de-alguma-coisa do Garrincha, mas a posição na parede não ajudou e não consegui ler.
Peço a tequila de sempre, que ainda não é servida do jeito que eu gosto, porque o Arlindo ainda não me conhece e não sabe o quanto eu sou chata para essas coisas.
Olho o espetinho de ovo com vina, em conserva, e confesso que a dor de estômago virou enjôo, na hora. Penso que deveria ter ficado em casa.
Mas, é feriado e há séculos eu não ponho o nariz na rua, não vejo as pessoas, não tomo umas.
Agüento corajosamente o mal-estar e, no fim, ele acaba sumindo mesmo.
Penso de onde eu conheço o Edson. Odeio não lembrar das pessoas, onde eu conversei com elas.
É claro que é algo bem freqüente, visto o teor alccólico que embalou minhas conversas na "noite". Não dá prá lembrar de tudo mesmo, talvez nem da metade. Me conformo pensando que muitas coisas são boas de serem esquecidas...
Não sei como, a conversa caiu no Nelson Rodrigues e virou uma discussão sobre alguma coisa que eu não entendi, porque não estava prestando atenção e nem conheço a obra dele. Enquanto o Júlio me explicava que o Russo era fã dele, o mesmo contradizia todo mundo e acabava com qualquer argumento sério da conevrsa, já fazendo uma piada.

Então o Arlindo olha para a gente e começa a explicar: sobre as crônicas esportivas do Nelson, publicadas como "A Sombra das chuteiras imortais" e sobre como ele acaba esquecendo as passagens que gostaria de citar, porque precisa transcrevê-las. Só quando ele liga o vídeo é que eu entendo o que quer dizer.
Começa um programa que eu não sei o nome, narrado pelo Pereio, com o texto do Nelson, falando sobre os grã-finos que foram ao Maracanã e choraram de alegria ao ver o gol do Garrincha.
Não preciso nem dizer que a narração, o texto, as imagens em preto e branco, o boteco, o Arlindo, e os malucos de plantão criaram uma cena única, que há muito eu não via e que só poderia acontecer em um boteco mesmo.
Quem ficou emocionada fui eu, por ver que ainda existe gente sensível e ainda existe espaço para todos os loucos, senão do mundo, pelo menos do meu mundinho.

Saí de lá com medo de cair da motoca, mas com a certeza de que logo terei uma conta no bar, e terei minha tequila servida como gosto...

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