8.3.06

Considerações acerca da arte de ser mulher


Há algum tempo venho refletindo sobre as questões femininas e esse post foi gestado ao longo do último ano.
Duas notícias me chamaram a atenção, pois enalteciam vitórias das mulheres.

A primeira falava sobre Lisa Randall, a primeira mulher a tornar-se titular no departamento de Física de Harvard e a declaração do reitor dessa universidade, dizendo haver razões biológicas para uma menor "capacidade" feminina em se dedicar às ciências exatas.

A segunda falava sobre Michelle Bachelet, primeira presidente mulher eleita no Chile.

Talvez eu devesse ter ficado satisfeita e pensado: Finalmente estamos chegando lá. Essas são vitórias importantes para as mulheres e estamos mostrando nossa capacidade...

Mas não. Fiquei, sim, preocupada porque isso mostra, na verdade, que ainda há um imenso caminho a ser trilhado.
Feliz eu ficarei no dia em que o fato de uma mulher conseguir uma posição de destaque na sociedade, em cargos e funções antes reservadas aos homens, não seja mais notícia.
Ficarei satisfeita quando as mulheres puderem receber salários condizentes com as suas aptidões, ser respeitadas profissionalmente e, principalmente, ser aceitas e reconhecidas.

Quando não existirem mais absurdos culturais que justifiquem a humilhação, a mutilação e os abusos sexuais, como ainda há em muitas sociedades.

Quando as mulheres deixarem de usar seu corpo para conseguir qualquer favor que seja e não forem mais escravas da moda e dos padrões ridículos de beleza.

E, principalmente, ficarei feliz no dia que as mulheres conseguirem educar seus filhos e filhas ensinando-lhes o auto-respeito, dignidade e compaixão. Não através de conselhos e ensinamentos vazios, mas através do exemplo.
Faça o que eu digo e não o que eu faço nunca funcionou.
Nenhum homem irá respeitar uma mulher se não teve o exemplo de uma mulher que se respeita.

Porque, se o mundo ainda funciona desse jeito, não estamos cumprindo nossa missão.
Ainda há muito o que ser feito...

Um comentário:

Alisson da Hora disse...

Pois é...teu texto tem tudo a ver com que eu penso...na Alemanha uma mulher também elegeu-se chanceller...e ainda ficamos espantados com isso...será que jamais seremos capazes de enxergar um ser humano do sexo oposto, mesmo com a necessidade de tal diferenciação, apenas como um ser humano, pensante como qualquer um?Que defeitos e qualidades, competências e irresponsabilidades são inerentes,antes de tudo à condição humana?Mulheres ganham menos do que os homens...mulheres negras ainda ganham menos entre as mulheres...realmente, até quando suportar isso?Quem sabe até o dia em que não nos espantarmos com algo tão corriqueiro, que é perceber que somos todos iguais, a despeito das nossas diferenças...