1.2.06

About the world



Hoje posso perceber que já nasci em um mundo em colapso.
E não falo do desencantamento deWeber ou do mal-estar de Freud. Essa angústia da modernidade foi substiuída pela desilusão das guerras do século XX.
Falo do colapso do ser humano, da espécie homo sapiens e toda a sua diversidade.
Nasci na metade da década de 70 e, se tive a alegria de vivenciar minha infância nos ingênuos anos 80, também cresci em meio aos noticiários sobre guerras, assisti a The Day After e morri de medo de que um ataque nucler pudesse realmente acontecer.
Mas morava no Brasil o país do futuro, a grande nação que guardava o pulmão do mundo eque estava prestes a se tornar democrática.
Em 1989 completei 15 anos e comecei a me interessar por política. Nossa primeira eleição direta, com canditados trabalhistas e socialistas. A queda do muro de Berlin, no dia do meu aniversário representou, mais do que o símbolo do fim do comunismo, a vitória da liberdade.
Porque minha grande idéia de vida era lutar contra o fim da opressão, qualquer que fosse a sua natureza.
É claro que nada saiu como imaginava, mas mesmo assim continuei acreditando. Comecei a me interessar mais pela "revolução", pelos movimentos de contestação dos anos 60, a música de protesto, os movimento beat, a guerrilha, essas coisas pelas quais você se interessa quando acha que pode mudar o mundo.
Durante a década de 90, ainda havia muito a ser feito e a ser dito. Ainda se acreditava que havia uma opção à loucura do mundo. Os jovens chegariam ao poder e levariam novas idéias às massas, através da educação. O futuro ainda carregava muitas promessas.

Mas, o futuro chegou. Não troxe a realização de um sonho, apenas o enfrentar da dura realidade. O mercado venceu. A globalização está aí, engolindo a humanidade, reduzindo o homem à uma máquina de consumo que não pensa, que não age.

Estamos todos sentados nas nossas poltronas, assistindo, calmamente, a decadência da civilização, o esgotamento da Terra, que logo não irá fornecer nada além de lixo, poluição, doenças, miséria.

Talvez a hora de se tomar uma atitude já tenha passado e tenhamos simplesmente perdido o bonde da História. Não, não vejo solução. Não vejo como uma minoria que possui alguma consciência da necessidade de reciclar o lixo, de dizer não aos remédios que não resolvem as causas das doenças, que procuram uma vida mais decente no caos da selva urbana podem mudar alguma coisa.

Sim, existem algumas pessoas fazendo coisas positivas, mas a velocidade com que homens e mulheres pacatamente perdem a compaixão e a solidariedade em nome de seu próprio patrimônio, seu próprio bem estar, impedem que essas ações tenham eficácia.


Eu mesma continuo procurando uma tábua de salvação, algo que me traga a esperança de dias melhores. Também me martirizo por não fazer tudo o que gostaria para mudar as coisas.

Quem sabe agora, que me livrei de mim mesma, eu possa tomar uma atitude...

Um comentário:

Perséfone Weber disse...

Conversei sobre a inércia do povo com um professor meu, não faz três meses. Ele achava que o mundo ainda tem salvação, que o povo não é tão ingênuo quanto parece, que existe um movimento de mudança. Eu não acreditei. Agora vendo cyberativismo, passeatas, união estável homoafetiva aprovada talvez eu volte a ter mais esperanças. E torcer para ele estar certo.