29.10.05

Vazio


Há dias tenho tentado escrever.
O máximo que consegui foi perder um post sobre a necessidade de enterrarmos nossos mortos.
E como escrevo impulsivamente, perdi o argumento, então, nada de post.

Mas, deveria falar sobre o vazio.
O vazio existencial, a falta de essência, a falta de vontade, a falta de tantas coisas necessárias para que a vida, finalmente, faça algum sentido.
A falta de sentido.

Porque, se o vazio é o que não contém nada, segundo o velho Aurélio, tendo a considerá-lo como a falta de alguma coisa.
E é nesse momento em que me encontro, procurando alguma coisa que não faço nem idéia do que seja.
Confuso? Sim.
Primordial, diria, como é essa eterna busca.

O que acho negativo nisso tudo é estar eternamente perdida num buraco negro onde nada há, onde nada é.
Esse tem sido o meu caminho e, quanto mais prossigo, mais vazio fica.
Vazio de mim...

24.10.05

Doer




*Glória para Macabéa:

- Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso me custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.

Eu me dôo o tempo todo...
E não há aspirina que alivie essa dor.
A dor de viver.
Acho que tenho dores de cabeça desde que nasci. Já ouvi muitas explicações sobre suas possíveis causas. Uma delas, de que a dor serve para não pensar.
No meu caso, não faz efeito.
Não faz com que eu pare de pensar, nem pare de sentir.
Apenas faz com que eu me doa.
Viver dói, desde o momento em que nascemos.
Nossos olhos doem, até que se acostumem com a luz; nossos ouvidos doem, até que se acostumem com os sons; nosso pulmão dói, até que se acostume com o ato de respirar.
Todos os nossos órgãos precisam se acostumar a funcionar, e doem muito até que o processo se complete.
Mas há algo, lá dentro, que não pára de doer nunca.
A dor da alma...
E não há anti-depressivo, ansiolítico, nada que dê jeito.
Talvez eu mesma seja responsável por essa dor.
Porque, em algum momento, decidi viver com intensidade e, após tomada essa decisão, nunca mais pude voltar atrás.
Não há atalho que me leve ao leve caminho do não-doer.
Porque esse seria o não viver.
Comigo, não funciona...


*A Hora da Estrela - Clarice Lispector

22.10.05

Mulher

The Fauve Woman - Camelia Toma

Ser mulher, para mim, sempre foi um exercício de auto-conhecimento e aprendizado.
Porque, apesar de se nascer mulher, é preciso se fazer mulher.
É preciso aprender a se colocar no mundo, a se comportar, a tomar decisões.
Confesso que não é fácil.
Os modelos que existem não são exatamente os melhores e o mundo cristão não nos deixou muitas possibilidades.
Ou se é a virgem imaculada ou a prostituta.
Não há espaço para existir, para fazer escolhas.
Cabe a cada uma, segundo roteiro pré-definido, viver de acordo com regras de comportamento.
A mulher deve ser honesta, recatada, boa esposa, boa mãe...
Não, não estou falando do século passado.
Estou falando de agora, da nossa sociedade que não admite liberdade.
A mulher livre inspira medo e desconfiança.
E não é feminismo barato, é apenas a difícil constatação de que ainda há muito que ser feito.

16.10.05

Plasma


Certa vez, uma amiga me falou que a nossa eterna busca pela alma gêmea se daria pelo fato de que, entre nossas idas e vindas espirituais, nós espalhamos parte de nossa energia, nosso plasma, e que, ao encontrarmos pessoas com quem temos afinidades, na verdade, estamos recuperando essas partes de nossa essência que não mais habitam em nós.

Durante nossa vida, também deixamos plasmas espalhados pelo caminho. Em diversas situações, nosso plasma se desprende de nós e fica lá, preso em algum local, em alguma situação, em alguma pessoa.

Todos os dias, na minha rotina atual, vejo um determinado local, no qual vivi há mais de 15 anos e do qual tenho excelentes lembranças. Então pensei: Tenho uma boa parte de mim presa ali.
Tudo o que sou hoje está relacionado àquele local, onde passei um período de menos de um ano.

É hora de recuperar o que perdi. Esse é um aprendizado importante.
Para se estar inteiro em si, em sua existência, é preciso recuperar os fragmentos de plasma que se soltaram pelo caminho. Reviver situações, revisitar locais, reencontrar pessoas...
E ver o que há de si em cada detalhe, para se apropriar do que é seu e seguir em frente.
Completo...

7.10.05

Incorformismo II




Das inúmeras coisas que eu já quis fazer na vida, uma delas foi cantar.
Queria ser um híbrido de Madonna e Kim Deal, alguma coisa muito louca e ao mesmo tempo muito legal.
Das inúmeras coisas que desisti na vida, uma delas foi cantar.
Minha voz não é lá essas coisas e percebi que simplesmente não dava.

Agora, será que alguém pode me explicar o fenômeno Pitty?
A guria canta mal, a voz dela é irritante e as letras, pseudo-inteligentes, insuportáveis e grudentas.
Aí eu descubro que a guria ganhou a escolha da audiência para a categoria "Meu ídolo"!!!!!!!!!!!!
Numa votação livre!!!!!!!!!
Simples assim, alguém te pergunta qual é o seu ídolo, aquele a quem você idolatra, venera ou apenas admira intensamente.
E a piazada escolhe a Pitty.

No meu mundo, as coisas não são assim.

Eu fico com o Raul...

Ghosts




Meus antigos fantasmas têm me visitado diariamente...
Meus esqueletos outrora trancafiados estão despencando do armário.
Hora de mudar...
Chega de protelar atitudes que necessitam tomar vida.
Chega de me esconder atrás de temores imemoriais.
Chega de tentar encontrar racionalidade no mundo dos humanos.
O tempo passou e foi implacável...
Deixou um rastro de não-ação que me exaspera.
Hora de mudar...
Não há mais maneira de me esconder de mim mesma.
Preciso agir.
Hora de mudar...