20.9.05

Conhecer-se

"A despeito de sua variabilidade em diferentes épocas, o homem sempre se coloca questões similares sobre si mesmo: como pensar-se para agir. Algum tipo de concepção do mundo e do eu, ainda que não formulada, nos acompanha a cada passo. A pergunta: quem somos? é sempre feita, mas com objetos de permeio. É no confronto com coisas ou situações que o homem reflete sobre si. Eu não saberia o que responder se me perguntassem quem sou sou ou o que sou; seria outro o caso, porém, se a pergunta fosse o que sou aos olhos de A ou B. É através das visões dos outros que nos compreendemos a nós mesmos. A questão decisiva, entretanto, é saber quem é esse outro em cujos olhos no vemos."
Karl Mannheim - Sociologia da Cultura (cap. 2 - o problema da intelligentsia)

Adoro quando encontro textos que explicam meus próprios pensamentos.
Explico: há muito considero que me percebo melhor através de espelhos, ou, que preciso de balizas para me postar no mundo e saber quais são os meus limites.
Essas balizas, normalmente, compõem-se de pessoas as quais eu respeito muito, e cuja opinião prezo, como forma de me compreender melhor.

Eu acabei de ler esse texto, no metrô, vindo para casa. E me lembrei daquele meu Amigo, que me disse muitas coisas, entre elas, que eu preciso me livrar das minhas balizas e me ver com meus próprios olhos.
Quando cheguei em casa, li o blog do meu amigo Alisson, e lá estava ele dizendo: "Sempre aprendi as coisas fundamentais da vida comigo mesmo."

Mas concordo com Mannheim, sobre nos compreendermos através dos outros. Não com as experiências dos outros, mas com a visão que os outros têm de nós.

Deveria escrever mais, mas ainda estou ácida, então, deixo para uma outra ocasião...

3 comentários:

Alisson da Hora disse...

Bakthin fala (Estética da criação verbal), acerca da construção da semântica, que as pessoas são "pontes", nas quais se constroem ora o entendimento ora a confusão...
Acho que, além de espelhos, onde frequentemente enxergamos algo diverso do que a empatia exige, somos, muito mais, pontes.
Às vezes de mão única, às vezes de mão dupla.
Para nós mesmos.
Para os outros, pedestres das pontes de nossas vidas,elas sempre serão de mão dupla.
Não existe ponte que não franqueie aos pedestres tal possibilidade.
Nós é que, no comando do carro por vezes desorientado de nossas vidas é que imaginamos para nós um caminho sem volta ou uma mão dupla pra nossa fuga.
Nunca imaginamos que a mão única possa ser aquele caminho que nos leva ao futuro, um caminho que não tem porquê mais olhar para trás e nos transformarmos em estátuas de sal.
Também não imaginamos a possibilidade da mão dupla como uma questão de reflexão, não de fuga do que está mais adiante, e retornarmos à outra cabeceira e saber que lado da bifurcação dos nossos destinos tomarmos quando soubermos caminhar na nossa ponte sem querer atropelar quem passa nas calçadas...
Os espelhos são necessários por demais...mas se quebram facilmente...
As pontes, até que algo, como o Tempo, venha a destruir,estarão de pé.

geisa disse...

é máira, como diz o leminski (não exatamente com essas palavras): essa coisa de ser a gente mesmo ainda vai nos levar além...

Mme. A. disse...

Não consigo me basear nos outros para poder chegar à conclusão nenhuma. Não tenho lógica, tenho sentidos, então para mim tudo tem que ser tato, audição, paladar, visão e paladar. Tenho que bater a cabeça para poder entender tudo sozinha. Vejo o que sou e o que quero através dos reflexos, através das partes que vejo sem me olhar no espelho. Mãos, pernas, pés, enfim, depois junto tudo. E vejo que vai dar.

Sempre fui partidária do queimar, sofrer, me despedaçar, mas fazer por mim mesma.

Do It Yourself.