26.9.05

Vida de Gado


"As pessoas continuam sendo tratadas como gado e não têm consciência da sua condição. Empresas de avião, de ônibus, prestadores de serviço, bancos e repartições.
São horas de espera, filas, burocracia.
E você lá, bestializado, brutalizado, transformado em alguém que não tem vontade, que não tem direitos, que obedece.
Um cachorro adestrado, ou se preferir, uma vaquinha de presépio..."


Tudo bem, o tema está super batido, mas ainda não postei sobre isso.
Escrevi esse fragmento em 2002 e acredito que as coisas só pioraram nesse tempo.
Sem falar que o fato de viver em outra cultura hoje dificulta muito as coisas.

Acho o cúmulo do absurdo você, consumidor, entrar numa loja, ou em qualquer estabelecimento em que você pague pelo serviço, e ter que praticamente implorar para que alguém te atenda.
Quando consegue, é com total falta de boa vontade, como se o vendedor estivesse fazendo um enorme favor em te atender.
Haja estômago para isso.

Não adianta, no meu mundo, as coisas não são assim...

Incomformismo

Comentando coisas que acontecem hoje em dia:

1. Avril Lavigne: Está em todas. Devido aos shows no Brasil, está na Tv, nos jornais, nos rádios e onde mais se possa esperar. Perdi uns 2 min preciosos da minha vida, vendo-a falar sobre suas expectativas: como acha que serão os fãs brasileiros? Está animada para os shows? O que vc estará fazendo daqui a 10 anos?
Tudo bem, as perguntas não ajudam, mas o entusiasmo da moça era o mesmo que o meu ao assiti-la, nulo. Além disso, ela ainda disse que as faculdades só existem para que se arrume um emprego, então, óbvio, ela não precisa de uma faculdade, pois já tem o seu emprego garantido.
O que fará depois? Será atriz...


O que nos leva à próxima questão:

2. Fernanda Lima: Tudo bem, todo mundo diz que ela é bonita, apesar de achá-la muito água (insípida, inodora e incolor). Mas daí a ser protagonista de novela? PELOAMORDEDEUS!!!!!!
Não dá. Até eu consigo fazer aquele biquinho que alguém deve ter dito que pegava bem, e que deve ser ensinado na escola de atores da Globo. Ninguém merece.

20.9.05

Conhecer-se

"A despeito de sua variabilidade em diferentes épocas, o homem sempre se coloca questões similares sobre si mesmo: como pensar-se para agir. Algum tipo de concepção do mundo e do eu, ainda que não formulada, nos acompanha a cada passo. A pergunta: quem somos? é sempre feita, mas com objetos de permeio. É no confronto com coisas ou situações que o homem reflete sobre si. Eu não saberia o que responder se me perguntassem quem sou sou ou o que sou; seria outro o caso, porém, se a pergunta fosse o que sou aos olhos de A ou B. É através das visões dos outros que nos compreendemos a nós mesmos. A questão decisiva, entretanto, é saber quem é esse outro em cujos olhos no vemos."
Karl Mannheim - Sociologia da Cultura (cap. 2 - o problema da intelligentsia)

Adoro quando encontro textos que explicam meus próprios pensamentos.
Explico: há muito considero que me percebo melhor através de espelhos, ou, que preciso de balizas para me postar no mundo e saber quais são os meus limites.
Essas balizas, normalmente, compõem-se de pessoas as quais eu respeito muito, e cuja opinião prezo, como forma de me compreender melhor.

Eu acabei de ler esse texto, no metrô, vindo para casa. E me lembrei daquele meu Amigo, que me disse muitas coisas, entre elas, que eu preciso me livrar das minhas balizas e me ver com meus próprios olhos.
Quando cheguei em casa, li o blog do meu amigo Alisson, e lá estava ele dizendo: "Sempre aprendi as coisas fundamentais da vida comigo mesmo."

Mas concordo com Mannheim, sobre nos compreendermos através dos outros. Não com as experiências dos outros, mas com a visão que os outros têm de nós.

Deveria escrever mais, mas ainda estou ácida, então, deixo para uma outra ocasião...

A vida é cheia de som e fúria*

"Icarus" - Lila Lewis Irving


Hoje acordei ácida...
Escrevi um e-mail de aniversário para um amigo (um daqueles que está longe e do qual e sinto uma falta IMENSA) e, ao lê-lo, percebi que ali não havia nada de positivo.

Porque é assim que eu me encontro hoje, negativa, de mau-humor, azeda, arisca e quantos mais adjetivos possam existir para definir esse "estado de alma".
Nunca fui políticamente correta, muito pelo contrário, mas nos últimos tempos, a maturidade e as situações da vida me tornaram mais branda, mais condescendente.
Acho que cansei de brincar de casinha, de brincar de gente grande.

Está faltando muito de mim na minha vida. Eu, que nem sei onde fui parar.
Sei que essa acidez sou eu, querendo sair de mim mesma e ganhar o mundo.
Aquela mesma liberdade da qual sinto tanta falta.
Liberdade de mim...



*A vida é cheia de som e fúria: Peça teatral de Felipe Hirch, baseada no livro de Nick Hornby, Alta Fidelidade.

10.9.05

Dancing Queen



Todos buscam alguma coisa na vida.

Eu, o que sempre busquei foi a Liberdade. Liberdade com letra maiúscula, aquela que pode ser explicada pelos filósofos, mas que, na vida real, não tem espaço para existir. Então, se não posso ser Livre, danço.

A melhor forma que encontrei para exercer minha liberdade foi dançar. Dançar minha músicas favoritas, até o dia amanhecer. De olhos fechados, descalça, sentindo a vibração da música e das pessoas à minha volta, mesmo que não possa vê-las.

Hoje, é disso que sinto mais falta...

"As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
I get an electric charge from you
That second hand living it just won’t do

And the way I feel tonight
I could die and I wouldn’t mind
And there’s something going on inside
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I can’t stand up I can’t cool down
I can’t get my head off the ground

As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
And all I ever got from you
Was all I ever took from you

And the world could die in pain
And I wouldn’t feel no shame
And there’s nothing holding me to blame
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I’m taking myself to the dirty part of town
Where all my troubles can’t be found"

Head on - The Jesus and Mary Chain

6.9.05

Sangrar


Certa vez um Amigo me disse que eu perdia muito tempo sangrando, e não era capaz de aprender nada.
Eu discordei dele, pois esse foi o meu caminho de aprendizado.

É claro que ele sabia do que estava falando, pois me conhecia e sabia do meu processo de vida-morte.

Me fiz ao longo da vida com muito sangue.
Que foi necessário à minha reconstrução, um longo período de ferida aberta, de cicatrizes que sangram...

É como aquele tipo de pessoa que precisa de um corte, de algo que sangre, que doa. Para minimizar a dor de sua alma, para saber que está vivo.
Além disso, sou mulher. E vivo mensalmente o processo fisiológico da renovação.
As coisas são simples, em sua complexidade.
As mulheres sangram, os homens lutam, os hormônios comandam.

Resgatei meu caderno de anotações. Algumas coisas estão desatualizadas, pois dizem respeito a situações muito específicas.
Outras, estão tão vivas quanto sempre.
Apesar das transformações, continuo a mesma...

2.9.05

Amigos


Desde o advento do orkut, tenho pensado muito sobre a forma como administro minhas amizades. Melhor seria dizer como NÃO administro...
Na infância, tive duas amigas, melhores amigas.
Uma delas continua presente, a amizade passou por altos e baixos, mas sei que posso contar com ela.
A outra, nunca mais tive notícias depois da faculdade.
Na adolescência, foi a vez dos amigos. O que me causou uma série de contratempos afetivos, pois além da dificuldade de administrar uma amizade entre sexos opostos, e tudo o que isso acarreta, ainda tinha que administrar namorados ciumentos.

Posso contar nos dedos os amigos que mantenho há muito tempo.
Amizades de 20, 10, 5 anos.
Amigos do colégio, da faculdade, do bairro, do trabalho.
Pessoas que dividiram muitas coisas comigo, experiências, dores, alegrias e que, por algum motivo, se afastaram.

E minha grande questão é: Por que não consegui manter essas amizades?
Há pessoas por quem sinto um carinho enorme, gosto mesmo, sinto falta, mas a amizade parece que esfriou...
Tornaram-se "colegas", conhecidos, qualquer nome que se dê a quem não é tão próximo.

Na verdade, sei a resposta, apesar de não gostar dela.
As pessoas mudam, mudam seus interesses, se transformam ao longo da vida.
E aquela mesma pessoa que ontem era sua alma gêmea, hoje não tem mais nenhuma afinidade com você.

Eu mudei, apesar de continuar sendo a mesma neurótica de sempre. Meus interesses mudaram, meu estilo de vida mudou.
Poucos souberam lidar com isso. Eu mesma não soube.
Aliás, como nunca soube me postar no mundo, não sei me postar nas minhas relações.
Espero que os meus amigos entendam isso.
E me perdoem...