27.7.05

Anaïs Nin


Em minhas peregrinações pela internet, encontrei acidentalmente este texto de Anaïs Nin.
Não sei o texto é realmente dela, pois não pude consultar diretamente o livro, mas mesmo assim decidi postá-lo, pelo seu conteúdo, no mínimo, interessante.
Compartilho de sua visão pela arte a acrescento ainda que a arte está morrendo uma morte anunciada.
Sobre isso escreverei mais tarde...


"Sinto-me particularmente emocionada pela distinção que me é conferida por esta universidade, porque sempre me acusaram de ser em favor do artista. Não só me tornei num deles, como também aprendi e fui convencida que muito provavelmente o único mágico que temos é o artista. Foi James Joyce que disse, que a história era um pesadelo do qual temos esperança de conseguir acordar. Gostaria de vos contar, de que forma começaram o meu amor e intuição sobre os poderes mágicos da arte.
O meu pai e a minha mãe passavam a vida a discutir mas, quando chegava a hora da música, a paz instalava-se, a minha mãe cantava maravilhosamente, o meu pai tocava piano e sons de instrumentos de corda invadiam a casa toda e, nós as crianças, pensávamos: começou a magia, tudo é paz e beleza. Pelo que me diz respeito, aprendi muito cedo na vida que a música tem o poder de transformar, transfigurar, conferir beleza a um conflito.
Quando tinha dezesseis anos e me tornei modelo de um pintor, enquanto as jovens à minha volta se enfastiavam e olhavam para os relógios, eu aprendia coisas sobre a cor com os pintores. Mais tarde, aprendi a importância das imagens que terminei por utilizar constantemente no que escrevo, como se me chegassem por meio de sonhos, uma forma de pensar que nenhum tipo de vida moderna conseguiu ainda erradicar.
Enquanto escritora não tive outra ambição que não fosse transpor para a escrita todas as formas passíveis de expressar arte: na minha perspectiva, qualquer forma de arte deve alimentar a outra, cada uma pode sempre dar um contributo a outra. Foi assim que transpus para a escrita o que aprendi com a dança, a música, o design, a arquitectura. Em cada uma dessas formas de arte havia qualquer coisa que eu queria incluir na minha escrita, da mesma forma que queria que a escrita, a escrita poética, as englobasse a todas. Isto porque sempre considerei a arte não apenas como um bálsamo, um consolo mas, também, como referi anteriormente, como uma forma de magia suprema que está contida nalgumas palavras, as quais sempre recomendei aos alunos que escrevessem numa grande folha de papel que trariam consigo todos os dias. Todas elas eram palavras que continham o prefixo trans: cender, transmutar, transformar, transpor, transfigurar. Para mim, todos os actos da criação estavam contidos nessas palavras e, achava que fosse o que fosse que nos acontecesse, teríamos que encontrar a força, a harmonia, uma síntese que nos ajudasse a viver e que funcionasse como um núcleo protector contra acontecimentos externos e todo o tipo de experiências destrutivas. Sempre utilizei a arte como uma forma de me reconstruir. Estas são as razões pelas quais sempre fui em favor do artista, porque com ele aprendi que é possível criar a partir do nada.
Aprendi com Varda a fazer colagens com pedacinhos de tecido; na verdade, ele obrigou-me a cortar o forro do meu casaco para fazer uma colagem e, não há dúvidas que era muito mais bonito como colagem do que quando era o forro do meu casaco. Aprendi com Tinguely que era possível ir a uma sucata e fazer sátira a partir de uma máquina.....o poder de criar a partir do nada. Sentir que, por exemplo, nos dias em que estamos deprimidos em Nova Iorque, podemos ir até ao Metropolitan Museum of Art e contemplar “O Sol” de Lippold. Alguns de vós devem tê-lo visto; ocupa a sala inteira; ainda é mais radiante que o nosso sol ao natural. E, o simples facto de estar ali sentada a olhar para o sol de Lippold, faz com que a minha melancolia se dissipe. É por esse motivo que considero o artista como um mágico, porque possui em si próprio as anti-toxinas. Quando nos sentimos destroçados ou num estado de desespero ou tristeza em relação a tudo o que acontece lá fora, ser capaz de criar qualquer coisa a partir do barro, do vidro, de pedacinhos de um material qualquer, sucata, a partir de qualquer coisa, prova que o homem tem em si o poder de criar. Contudo, a História só me mostrou a luta pelo poder, pela posse. Na vida do artista, verifiquei que este tinha que ser uma pessoa dedicada, que não estava certo de quaisquer recompensas, que teria que esperar, que lhe estava reservada a mais difícil de todas as tarefas que é (nas palavras de Otto Rank), manter em equilíbrio os nossos dois desejos – o primeiro, não nos afastarmos dos outros; o segundo, criar qualquer coisa que nos possa alienar em relação à nossa cultura. O artista é aquele que tem de correr o risco da alienação, como eu corri durante muitos anos porque escrevia coisas que não faziam parte da “moda”, naquela altura. Tive que aguardar durante muitos anos até que se instalasse a sincronia entre os sentimentos desta geração e as suas atitudes e valores. Esta espera é muito difícil e sei que muitos escritores estarão a ela sujeitos. Precisarão de se dividir em dois: por um lado, para perceber e ser o reflexo da sua cultura, por outro, para conseguir ver para além dela. E, é nesse preciso momento, que começam a construir o nosso futuro, o futuro da arquitectura ou o futuro da música. É nestes momentos difíceis que às vezes os repudiamos ou os menosprezamos ou os tratamos com enorme indiferença. Por isso, sinto que o artista tem o poder de criar e que esse é um poder mágico, que pode transformar, transfigurar, transpor e transmitir a outros.
Gaston Bachelard, o filósofo francês, disse uma coisa muito comovente. Disse que, por vezes, pensa que o que o maior sofrimento que os outros nos infligem é o silêncio: o silêncio que envolve os nossos actos, os nossos relacionamentos, as coisas que não podemos dizer ou que não podemos contar aos outros. Houve momentos na América em que tive medo que as pessoas tivessem decidido não voltar a ler, nunca mais voltar a depender da literatura ou sequer conversar. Fiquei verdadeiramente preocupada até ter percebido que não era contra o conversar que as pessoas se insurgiam mas sim contra um tagarelar sem sentido; aquilo que rejeitavam era um tipo de literatura que não lhes oferecia a vida mas abstracções. Por essa razão, para que o romance não morresse, para que a escrita não morresse, tivemos que regressar às fontes da vida, o que quer dizer à biografia, o que significa basear tudo o que acontece em factos verídicos, não esquecendo, contudo, que a arte se encarrega depois de transformar esta verdade, de a transmutar em poesia. E é a poesia que nos vai ensinar a levitar. É isso que o poeta nos ensina, a levitar.
Bachelard também disse que o que o poeta fez foi tornar possível a nossa crença no mundo, o nosso amor pelo mundo e a possibilidade de o criar. Pela minha parte, acredito nisto firmemente, porque quando comecei a criar os Diários desconhecia que estava a criar um mundo que era uma antítese do mundo que me rodeava e, que eu rejeitava, onde só havia dor, guerras e inúmeras dificuldades. Eu estava a criar o mundo que eu queria ter e, para esse mundo, uma vez criado, convidam-se outros, aqueles que têm afinidades connosco. Então, transforma-se num universo, já não é um mundo privado mas qualquer coisa que transcende o pessoal e dá origem a esse elo de ligação. Bachelard diz que nós sofremos com o silêncio; o que os Diários fizeram foi falar e, depois, foi a vossa vez de falarem comigo....Desta forma o elo universal pode ser criado por cada um dos artistas se estiverem dispostos a voltar-se para a sua criação individual e não tiverem medo de ignorar a moda ou as directivas vigentes.
Quando o artista envereda por um caminho, no início esse caminho afigura-se-lhe solitário mas, mesmo assim, atreve-se a prossegui-lo. Essa ousadia e esse espírito de aventura são muito importantes. Mesmo quando comecei a escrever um diário, já estava a admitir que a vida seria mais tolerável se a encarasse como uma aventura ou um conto. Eu contava a mim própria a história de uma vida e isso transforma em aventura as coisas que nos destroem. A aventura é a viagem mítica que todos temos que fazer, a viagem ao nosso interior, a viagem que na literatura clássica nos leva através de um labirinto. É então que começamos a olhar para aquilo que nos acontece como desafios à nossa coragem – com isto não quero dizer que todos tenhamos que ser heróis – apenas, que todos temos que fazer a viagem e acreditar que seremos capazes de encontrar a saída do labirinto. "
-- Anaïs Nin --


Extracto do Diário de Anais Nin, Volume nº 7, 1966-1974, pág. 264

24.7.05

O mundo é um belo lugar para se viver

1990 - Meu primeiro contato com a boa literatura. Alguns textos são meus preferidos até hoje.
Esse é um deles.

The World Is a Beautiful Place
by Lawrence Ferlinghetti

The world is a beautiful placeto be born into
if you don't mind happiness
not always being
so very much fun
if you don't mind a touch of hell
now and then
just when everything is fine
because even in heaven
they don't sing
all the time
The world is a beautiful place
to be born into
if you don't mind some people dying
all the time
or maybe only starving
some of the time
which isn't half bad
if it isn't you
Oh the world is a beautiful place
to be born into
if you don't much mind
a few dead minds
in the higher places
or a bomb or two
now and then
in your upturned faces
or such other improprieties
as our Name Brand society
is prey to
with its men of distinction
and its men of extinction
and its priests
and other patrolmen
and its various segregations
and congressional investigations
and other constipations
that our fool flesh
is heir to
Yes the world is the best place of all
for a lot of such things as making the fun scene
and making the love scene
and making the sad scene
and singing low songs and having inspirations
and walking around
looking at everything
and smelling flowers
and goosing statues
and even thinking
and kissing people and
making babies and wearing pants
and waving hats and
dancing
and going swimming in rivers
on picnics
in the middle of the summer
and just generally
'living it up'
Yes but then right in the middle of it comes the smiling
mortician

Ian



1989 - Emprestei uma fita do meu primo: Joy Division, Clash, Bauhaus, Echo...
Não preciso dizer que mudei minha vida e meu gosto musical.


Confusion in her eyes that said it all
She’s lost control
And she’s clinging to the nearest passer by
She’s lost control
And she gave away the secrets of her past
And said I’ve lost control again
And a voice that told her when and where to act
She said I’ve lost control again
And she turned to me and took me by the hand and said
I’ve lost control again
And how I’ll never know just why or understand
She said I’ve lost control again
And she screamed out kicking on her side and said
I’ve lost control again
And seized up on the floor
I thought she’d die
She said I’ve lost control
She’s lost control again
She’s lost control
She’s lost control again
She’s lost control
Well I had to ’phone her friend to state her case
And say she’s lost control again
And she showed up all the errors and mistakes
And said I’ve lost control again
But she expressed herself in many different ways
Until she lost control again
And walked upon the edge of no escape
And laughed I’ve lost control
She’s lost control again
She’s lost control
She’s lost control again
She’s lost control
I could live a little better with the myths and the lies
When the darkness broke in, I just broke down and cried
I could live a little in a wider line
When the change is gone, when the urge is gone
To lose control. When here we come.

She's lost control - Joy Division

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Blogs

Eu sou uma mulher independente, inteligente e costumo ter habilidade para fazer várias coisas. Infelizmente, lidar com a Internet e com a porcaria do meu Cable Modem, que nunca funciona direito, acho que são coisas que terei que deixar para a próxima encarnação.
Perdi o último post, então este será uma versão resumida do mesmo, afinal, já estou sem paciência para lutar com a Caixa Branca e escrever tudo de novo.
Na verdade, gostaria apenas de compartilhar alguns blogs que eu acho interessantes.
É claro que começo com o Mademoiselle Passion, da minha grande amiga Crazy Feellings, que fala sobre nossas aventuras (e às vezes desventuras) pela vida afora.
Tem também o Pontispopuli, do meu amigo virtual Alisson Wittgenstein, que, assim como eu, está esperando que a Nave Mãe venha buscá-lo.
Alguns outros são o Não Discuto, que descobri através do fanzine do Luiz, de Porto Alegre.
E, é claro, o Registro Dissonante, do Renato Thibes (criador da Teoria Pedestáltica). Ele parece ser meio babaca, mas tenho que dar crédito à sua pessoa, afinal, com um gosto musical tão bom, não pode ser de todo ruim.
E tem a página do fanzine do Luiz, que diz como conseguir os exemplares do zine.
O bom de tudo isso é ver que existe vida inteligente na Internet, além das superficialidades adolescentes. E saber que as pessoas ainda produzem coisas criativas, longe da mediocridade e lugar comum que imperam no nosso mundinho.

Quanto a mim, depois da tempestade vem o Bonanza...
Assim que este momento apocalíptico passar, devo escrever alguma coisa.


www.mademoisellepassion.blogspot.com
www.pontispopuli.blogspot.com
www.nãodiscuto.blogger.com.br
www.registrodissonante.blogspot.com
www.luizzine.com.br

Intelectual Fútil

Ai, que vidinha essa...
Vivendo de rendas, algumas aulas na semana, ponte aérea Rio-Ctba, vários livros de Teoria Política, queimando dinheiro no shopping...
Baladas só de vez em quando, (porque sou uma mulher séria), mas vezes suficientes para me manter uma excelente bebedora de Tequila.
Preciso arrumar um boteco decente para freqüentar. Daqueles que vc conhece o dono, o cara te chama pelo nome e sabe o que vc quer beber, só de te olhar...
Esse tipo de boteco está desaparecendo, assim como os seus freqüentadores.
Hoje o que se vê é uma fauna e flora muito profícua de espécimes estranhas, gente feia e mal vestida, burra e que não sabe beber...
Aí não há tequila que dê jeito.
Eu, que sou linda e sofisticada, continuo apenas observando, sem me misturar...


"We know you are soft cause we’ve all seen you dancing We know you are hard cause we all saw you drinking from noon until noon again" Belle and Sebastian


Esperando a Nave Mãe

Você já teve a sensação de que não pertence à esse planeta, ou à esse tempo em que vive?
Eu também, me sinto deslocada no tempo e no espaço.
Mas apesar desse entranhamento, busco viver na realidade que me é possível e procuro evitar de pensar muito sobre o por quê dessa sensação.
Conheço algumas pessoas especiais que compartilham desse sentimento e elas me fazem um pouco mais feliz...
No mais, vou tentando me adaptar à um mundo do qual não faço parte.


"Aquele cujo não rosto não se ilumina jamais há de ser uma estrela" William Blake

Eu mesma

Não espere coerência, nem concordância.
Meu ser não abarca conceitos, nem rótulos, nem definições.
Sou resultado da subjetividade da alma feminina, com vários toques de inconstância, impaciência e uma dose gigantesca de amor.
Minha existência é um mar de contradições e, se cheguei até aqui, foi por pura teimosia. Como Pessoa, tive em mim todos os sonhos do mundo. A maioria deles, no entanto, ficou pela entrada, em algum butiquim...
Muitas considerações a fazer, só não sei se terei vontade de fazê-las.
Se não, vou compartilhar textos que eu gosto, que me fizeram durante a vida. A todos, desejo uma boa jornada...

Here at Tiffany's



Because here at Tiffany's only good things happens... Posted by Picasa