29.11.05

Música e escolhas




Eu adoro música.
Desde os tempos de criança, quando ouvia apenas rádio e trilhas sonoras de novela, minha vida já tinha sua própria trilha.
Na minha família, ninguém nunca foi muito fã de nada em específico.
Meu pai gostava de Roberto Carlos e até comprou alguns discos, mas ficou nisso.
No mais, eram apenas coletâneas, de qualquer coisa.
Minhas irmãs, mais velhas, também não eram fanáticas por nada.
Houve um tempo em que a mais velha curtiu Rádio Taxi, mas não passou disso.
A do meio (sou a caçula) viveu uma fase gloriosa onde tinha várias fitas k7 de rock'n roll.
Só coisa boa, e confesso que fiquei com quase todas.
Mas essa fase também passou e hoje ambas continuam na base da trilha de novela.

Eu, bom, desde que ouvi minha primeira fitinha do Joy Division, nunca mais larguei a busca por bandas que fizessem músicas que me falassem algo.
Passei pela fase pós-punk, punk, metal, indie e hoje gosto de muitas coisas.
Não sou eclética. Gosto de bandas e cantores específicos e tudo que escuto está relacionado a algum fato da minha vida.

Tudo isso para dizer que 2005 foi o ano dos grandes shows.
Para listar os mais importantes, para mim:
Placebo
Orishas
Weezer
Strokes
Manu Chao
Pearl Jam

Gostaria de comentar o que senti ao ver cada um deles, mas não posso.
Porque não estive presente em nenhum deles.

É aí que entram as escolhas. Em um determinado momento da minha vida, decidi fazer as coisas acontecerem para mim. Não foi fácil, muito pelo contrário.
Precisei de uma força hercúlea e estou me recuperando até agora.
Mas, ao escolher tornar meu sonho realidade, sabia que teria que abrir mão de muita coisa.
Abandonei minha família, meus amigos, minha casa, meu carro, meu conforto, meu emprego, minha cidade, minha vida...


Troquei por uma nova vida, em uma nova cidade, em um apartamento-trailler, usuária do sistema coletivo de transporte, de chinelo de dedos .
Ganhei a chance de estudar o que sempre desejei e, como conseqüência, estabeleci uma nova relação com o meu filho e com o meu marido, muito melhor e mais saudável

É claro que sou a mesma pessoa, mas amadureci mil anos por arcar com o peso da minha escolha.
Sim, perdi grandes shows, principalmente o do Orishas, num pequeno bar em Curitiba, onde eu poderia ter tomado muita tequila, gritado enlouquecidamente todas as músicas, conversado com os caras e dado um enorme vexame, como costumo fazer quando estou muito feliz e bebo demais.

Mas, hoje, me contento com as pequenas alegrias...
Elas me lembram que cada dia é uma vitória, que ainda estou na luta.
E, se nela persistir, logo estarei vendo todos esses shows e muitos outros.
Com certeza, terá valido a pena.

23.11.05

Flor da Pele



Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da peleque a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem sela
Um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido
Às vezes me preservo noutras suicido
Um barco sem porto sem rumo sem vela cavalo sem sela
Um bicho solto um cão sem dono um menino um bandido
Às vezes me preservo noutras suicido

Flor da Pele - Zeca Baleiro

...

Cada vez que resolvo abrir alguma antiga agenda, me assombro com a ingenuidade, a urgência, a necessidade, o caos que encontro ali gravado em palavras...Mas, ao mesmo tempo, me reconheço inteira, com todos os meus lados mais obscuros, além dos mais óbvios, que eu nem mesmo sabia que estavam ali...Comecei a escrever sobre isso em um post, mas, como todos os outros, ficou suspenso em uma idéia incompleta.
Ainda preciso fazer um efetivo exercício de escrita para conseguir realmente expressar meus pensamentos e sentimentos em palavras. Meu incrível poder de síntese, que pragmaticamente me é muito útil, torna-se um empecílio para transformar meu Ser em um texto que faça um mínimo de sentido.
Pensando bem, agora me ocorreu a seguinte idéia: estou me tornando a síntese de mim mesma. É mais prático, economiza um mundo de energia gasto em existir. Então, simplesmente preservo minha existência sendo menos eu. Não preciso trocar de personalidade, apenas reduzir o esforço dispendido no exercício da dor e delícia de ser o que é...
E assim se passam os meus dias, existindo menos, numa versão low profile que, se não chega a ser uma negação de mim, com certeza não sou eu. As horas passam e a vida se torna menos densa.
O que também se torna um problema, porque se um dia eu quis criar asas e voar, não era com essa falta de densidade. Porque essa economia de mim não se traduz em leveza...
Continuo sendo uma nuvem negra, carregada, daquelas que prenunciam tempestades, quando na verade gostaria de ser uma nuvem gordinha, branca, daquelas bem ralas, que o vento carrega sem esforço, que forma desenhos suaves...

Mas, o que na verdade eu queria dizer quando comecei esse post é que, teoricamente, eu gosto de mim.
Eu me acho uma pessoa inteligente, gosto de todos os meus gostos, gosto das opiniões que tenho, das músicas que escuto, dos livros que leio, das idéias e da maioria das minha loucuras.
O problema é que o fato de gostar de mim não torna a convivência comigo mais suportável, mesmo estando nessa versão menos, a convivência ainda é dolorosa.
Um dia eu chego lá...

* O início desse post resultou de um comentário no Blog Between rupture and rapture

21.11.05

Provérbios do Inferno




Se você nunca escutou Mercenárias, por favor, corra arrumar alguma coisa delas.

Sobre William Blake, incomoda, como todo bom visionário.

"No tempo da semeadura, aprende, na colheita ensina, no inverno desfruta.
Conduz o teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.
A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A prudência é uma solteirona rica e feia cortejada pela impotência.
Quem deseja mas não age gera pestilência.
O verme partido perdoa o arado.
Mergulha no rio quem gosta de água.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio
Aquele cujo rosto não se ilumina jamais há de ser uma estrela.
A eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo.
A abelha atarefada não tem tempo para tristezas.
Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes.
Toma do número do peso e da medida em tempos de escassez.
Um cadáver não vinga as injúrias.
O ato mais sublime é colocar outro diante de ti.
Se o louco persistisse na sua loucura, acabaria se tornando um sábio.
A loucura é o manto da velhacaria.
O manto do orgulho é a vergonha.
Os tigres da ira são melhores que os cavalos da educação.
As prisões se constroem com as pedras da lei.
Os bordéis com os tijolos da religião.
O orgulho do pavão é a glória de Deus.
A luxúria do bode é a bondade de Deus.
A fúria do Leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.
O rugir do leão, o uivar do lobo, o furor do mar tempestuoso e a espada destruidora são fragmentos da eternidade grande demais para os olhos humanos.
A raposa condena a armadilha, não a si própria.
Os júbilos fecundam, as tristezas geram.
Que o homem use a pele do leão, a mulher a lã da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem a amizade.
O que hoje se prova outrora era apenas imaginado.
A ratazana, o camundongo, a raposa e o coelho olham as raízes.
O leão, o tigre, o cavalo e o elefante olham os frutos.
A cisterna contém, a fonte derrama.
Um só pensamento preenche a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o homem torpe te evitará.
Tudo que se pode acreditar já é uma imagem da verdade.
A águia nunca perdeu tanto tempo como quando resolveu aprender com a gralha.
Da água estagnada espera veneno.
A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão."

POEMA DE WILLIAM BLAKE
TRADUÇÃO - PROF. PAULO VIZIOLI
SELEÇÃO DOS VERSOS - ROSÁLIA
MÚSICA - MERCENÁRIAS

17.11.05

Bipolar

Finalmente o sol está brilhando...

Uma pequena pausa no meu inferno astral, no meu mau-humor, na minha vontade de sumir.
É claro que, infelizmente, o sol não possui esse poder todo.
A boa vontade com a vida tem a ver com o fim da TPM, com a visita à minha terra natal, aos amigos, às baladas.
Voltar para casa pode ser uma experiência exasperante, mas também pode ser o combustível para seguir em frente.
Eu, que na maioria do tempo não me suporto, preciso muito das pessoas à minha volta.
Amigos que mesmo estando tão distantes, me tornam mais leve...
É ótimo passar um tempo fora e perceber que algumas pessoas realmente sentiram a sua falta, realmente gostam de ter você por perto.
É bom dançar, extravasar, dar muita risada.
O tal lado leve da vida (esse estranho), que às vezes dá o ar da graça.

9.11.05

Thank you




"Quem teve a idéia
de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ANO,
foi um indivíduo genial,
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar
no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui por diante vai ser diferente. "


Cortar o Tempo - Carlos Drummond de Andrade

Recebi esse poema hoje, de um antigo professor de História.
Tive aulas com ele no ano de 1987, mas foi o suficiente para me transformar em boa parte do que sou hoje.
Com ele aprendi que a História pode ser linda, emocionante, exasperante, ou uma simples mentira.
Nunca uma simples verdade.
Com ele aprendi que dizer: “Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido” possui um peso e uma responsabilidade imensos, não são palavras vãs.

Hoje quero agradecer a todas as pessoas que passaram pela minha vida e deixaram coisas positivas.
Pessoas que, mesmo sem saber, me transformaram em um ser humano melhor. Me ensinaram a amar, a ajudar, a temer, a respeitar, a perdoar.
Gostaria de citá-las uma por uma, mas poderia incorrer no grave erro de esquecer alguém, não porque foi menos importante, mas porque já não está mais perto de mim.

Então, escolho a pessoa mais especial da minha vida, em todos os momentos.
Minha mãe, que se foi há pouco, que deixou uma saudade imensa, mas que é a responsável por eu estar aqui, completando mais um ano.

Obrigada, Mãe, por nunca ter desistido de mim...



7.11.05

Belle and Sebastian




Para mim, Belle and Sebastian é como um domingo no parque...
Lindo, mas extremamente melancólico.


"Is it wicked not to care when they say that you're mistaken
Thinking hopes and lots of dreams that aren't there?
Is it wicked not to care when you've wasted many hours
Talking endlessly to anyone that's there?

I know the truth awaits me
But still I hesitate because of fear

Skipping tickets making rhymes
Is that all that you believe in?
Wearing rags to make you pretty by design
Rusting armour for effect
It's not fun to watch the rust grow
For it will all be over when you're dead

Counting acts and clutching thoughts
By the river where the moss grows
Over rocks the water running all the time
Is it wicked when you smile
Even though you feel like crying
Even though you could be sick at any time?

But if there was a sequel
Would you love me as an equal?
Would you love me till I'm dead

If there was a sequel
Would you love me like an equal?
Would you love me till I'm dead
And if there was a sequel
Would you love me as an equal?
Would you love me till I'm dead
Or is there someone else instead?"

Belle and Sebastian - Is It Wicked Not To Care?

29.10.05

Vazio


Há dias tenho tentado escrever.
O máximo que consegui foi perder um post sobre a necessidade de enterrarmos nossos mortos.
E como escrevo impulsivamente, perdi o argumento, então, nada de post.

Mas, deveria falar sobre o vazio.
O vazio existencial, a falta de essência, a falta de vontade, a falta de tantas coisas necessárias para que a vida, finalmente, faça algum sentido.
A falta de sentido.

Porque, se o vazio é o que não contém nada, segundo o velho Aurélio, tendo a considerá-lo como a falta de alguma coisa.
E é nesse momento em que me encontro, procurando alguma coisa que não faço nem idéia do que seja.
Confuso? Sim.
Primordial, diria, como é essa eterna busca.

O que acho negativo nisso tudo é estar eternamente perdida num buraco negro onde nada há, onde nada é.
Esse tem sido o meu caminho e, quanto mais prossigo, mais vazio fica.
Vazio de mim...

24.10.05

Doer




*Glória para Macabéa:

- Por que é que você me pede tanta aspirina? Não estou reclamando, embora isso me custe dinheiro.
- É para eu não me doer.
- Como é que é? Hein? Você se dói?
- Eu me dôo o tempo todo.
- Aonde?
- Dentro, não sei explicar.

Eu me dôo o tempo todo...
E não há aspirina que alivie essa dor.
A dor de viver.
Acho que tenho dores de cabeça desde que nasci. Já ouvi muitas explicações sobre suas possíveis causas. Uma delas, de que a dor serve para não pensar.
No meu caso, não faz efeito.
Não faz com que eu pare de pensar, nem pare de sentir.
Apenas faz com que eu me doa.
Viver dói, desde o momento em que nascemos.
Nossos olhos doem, até que se acostumem com a luz; nossos ouvidos doem, até que se acostumem com os sons; nosso pulmão dói, até que se acostume com o ato de respirar.
Todos os nossos órgãos precisam se acostumar a funcionar, e doem muito até que o processo se complete.
Mas há algo, lá dentro, que não pára de doer nunca.
A dor da alma...
E não há anti-depressivo, ansiolítico, nada que dê jeito.
Talvez eu mesma seja responsável por essa dor.
Porque, em algum momento, decidi viver com intensidade e, após tomada essa decisão, nunca mais pude voltar atrás.
Não há atalho que me leve ao leve caminho do não-doer.
Porque esse seria o não viver.
Comigo, não funciona...


*A Hora da Estrela - Clarice Lispector

22.10.05

Mulher

The Fauve Woman - Camelia Toma

Ser mulher, para mim, sempre foi um exercício de auto-conhecimento e aprendizado.
Porque, apesar de se nascer mulher, é preciso se fazer mulher.
É preciso aprender a se colocar no mundo, a se comportar, a tomar decisões.
Confesso que não é fácil.
Os modelos que existem não são exatamente os melhores e o mundo cristão não nos deixou muitas possibilidades.
Ou se é a virgem imaculada ou a prostituta.
Não há espaço para existir, para fazer escolhas.
Cabe a cada uma, segundo roteiro pré-definido, viver de acordo com regras de comportamento.
A mulher deve ser honesta, recatada, boa esposa, boa mãe...
Não, não estou falando do século passado.
Estou falando de agora, da nossa sociedade que não admite liberdade.
A mulher livre inspira medo e desconfiança.
E não é feminismo barato, é apenas a difícil constatação de que ainda há muito que ser feito.

16.10.05

Plasma


Certa vez, uma amiga me falou que a nossa eterna busca pela alma gêmea se daria pelo fato de que, entre nossas idas e vindas espirituais, nós espalhamos parte de nossa energia, nosso plasma, e que, ao encontrarmos pessoas com quem temos afinidades, na verdade, estamos recuperando essas partes de nossa essência que não mais habitam em nós.

Durante nossa vida, também deixamos plasmas espalhados pelo caminho. Em diversas situações, nosso plasma se desprende de nós e fica lá, preso em algum local, em alguma situação, em alguma pessoa.

Todos os dias, na minha rotina atual, vejo um determinado local, no qual vivi há mais de 15 anos e do qual tenho excelentes lembranças. Então pensei: Tenho uma boa parte de mim presa ali.
Tudo o que sou hoje está relacionado àquele local, onde passei um período de menos de um ano.

É hora de recuperar o que perdi. Esse é um aprendizado importante.
Para se estar inteiro em si, em sua existência, é preciso recuperar os fragmentos de plasma que se soltaram pelo caminho. Reviver situações, revisitar locais, reencontrar pessoas...
E ver o que há de si em cada detalhe, para se apropriar do que é seu e seguir em frente.
Completo...

7.10.05

Incorformismo II




Das inúmeras coisas que eu já quis fazer na vida, uma delas foi cantar.
Queria ser um híbrido de Madonna e Kim Deal, alguma coisa muito louca e ao mesmo tempo muito legal.
Das inúmeras coisas que desisti na vida, uma delas foi cantar.
Minha voz não é lá essas coisas e percebi que simplesmente não dava.

Agora, será que alguém pode me explicar o fenômeno Pitty?
A guria canta mal, a voz dela é irritante e as letras, pseudo-inteligentes, insuportáveis e grudentas.
Aí eu descubro que a guria ganhou a escolha da audiência para a categoria "Meu ídolo"!!!!!!!!!!!!
Numa votação livre!!!!!!!!!
Simples assim, alguém te pergunta qual é o seu ídolo, aquele a quem você idolatra, venera ou apenas admira intensamente.
E a piazada escolhe a Pitty.

No meu mundo, as coisas não são assim.

Eu fico com o Raul...

Ghosts




Meus antigos fantasmas têm me visitado diariamente...
Meus esqueletos outrora trancafiados estão despencando do armário.
Hora de mudar...
Chega de protelar atitudes que necessitam tomar vida.
Chega de me esconder atrás de temores imemoriais.
Chega de tentar encontrar racionalidade no mundo dos humanos.
O tempo passou e foi implacável...
Deixou um rastro de não-ação que me exaspera.
Hora de mudar...
Não há mais maneira de me esconder de mim mesma.
Preciso agir.
Hora de mudar...

26.9.05

Vida de Gado


"As pessoas continuam sendo tratadas como gado e não têm consciência da sua condição. Empresas de avião, de ônibus, prestadores de serviço, bancos e repartições.
São horas de espera, filas, burocracia.
E você lá, bestializado, brutalizado, transformado em alguém que não tem vontade, que não tem direitos, que obedece.
Um cachorro adestrado, ou se preferir, uma vaquinha de presépio..."


Tudo bem, o tema está super batido, mas ainda não postei sobre isso.
Escrevi esse fragmento em 2002 e acredito que as coisas só pioraram nesse tempo.
Sem falar que o fato de viver em outra cultura hoje dificulta muito as coisas.

Acho o cúmulo do absurdo você, consumidor, entrar numa loja, ou em qualquer estabelecimento em que você pague pelo serviço, e ter que praticamente implorar para que alguém te atenda.
Quando consegue, é com total falta de boa vontade, como se o vendedor estivesse fazendo um enorme favor em te atender.
Haja estômago para isso.

Não adianta, no meu mundo, as coisas não são assim...

Incomformismo

Comentando coisas que acontecem hoje em dia:

1. Avril Lavigne: Está em todas. Devido aos shows no Brasil, está na Tv, nos jornais, nos rádios e onde mais se possa esperar. Perdi uns 2 min preciosos da minha vida, vendo-a falar sobre suas expectativas: como acha que serão os fãs brasileiros? Está animada para os shows? O que vc estará fazendo daqui a 10 anos?
Tudo bem, as perguntas não ajudam, mas o entusiasmo da moça era o mesmo que o meu ao assiti-la, nulo. Além disso, ela ainda disse que as faculdades só existem para que se arrume um emprego, então, óbvio, ela não precisa de uma faculdade, pois já tem o seu emprego garantido.
O que fará depois? Será atriz...


O que nos leva à próxima questão:

2. Fernanda Lima: Tudo bem, todo mundo diz que ela é bonita, apesar de achá-la muito água (insípida, inodora e incolor). Mas daí a ser protagonista de novela? PELOAMORDEDEUS!!!!!!
Não dá. Até eu consigo fazer aquele biquinho que alguém deve ter dito que pegava bem, e que deve ser ensinado na escola de atores da Globo. Ninguém merece.

20.9.05

Conhecer-se

"A despeito de sua variabilidade em diferentes épocas, o homem sempre se coloca questões similares sobre si mesmo: como pensar-se para agir. Algum tipo de concepção do mundo e do eu, ainda que não formulada, nos acompanha a cada passo. A pergunta: quem somos? é sempre feita, mas com objetos de permeio. É no confronto com coisas ou situações que o homem reflete sobre si. Eu não saberia o que responder se me perguntassem quem sou sou ou o que sou; seria outro o caso, porém, se a pergunta fosse o que sou aos olhos de A ou B. É através das visões dos outros que nos compreendemos a nós mesmos. A questão decisiva, entretanto, é saber quem é esse outro em cujos olhos no vemos."
Karl Mannheim - Sociologia da Cultura (cap. 2 - o problema da intelligentsia)

Adoro quando encontro textos que explicam meus próprios pensamentos.
Explico: há muito considero que me percebo melhor através de espelhos, ou, que preciso de balizas para me postar no mundo e saber quais são os meus limites.
Essas balizas, normalmente, compõem-se de pessoas as quais eu respeito muito, e cuja opinião prezo, como forma de me compreender melhor.

Eu acabei de ler esse texto, no metrô, vindo para casa. E me lembrei daquele meu Amigo, que me disse muitas coisas, entre elas, que eu preciso me livrar das minhas balizas e me ver com meus próprios olhos.
Quando cheguei em casa, li o blog do meu amigo Alisson, e lá estava ele dizendo: "Sempre aprendi as coisas fundamentais da vida comigo mesmo."

Mas concordo com Mannheim, sobre nos compreendermos através dos outros. Não com as experiências dos outros, mas com a visão que os outros têm de nós.

Deveria escrever mais, mas ainda estou ácida, então, deixo para uma outra ocasião...

A vida é cheia de som e fúria*

"Icarus" - Lila Lewis Irving


Hoje acordei ácida...
Escrevi um e-mail de aniversário para um amigo (um daqueles que está longe e do qual e sinto uma falta IMENSA) e, ao lê-lo, percebi que ali não havia nada de positivo.

Porque é assim que eu me encontro hoje, negativa, de mau-humor, azeda, arisca e quantos mais adjetivos possam existir para definir esse "estado de alma".
Nunca fui políticamente correta, muito pelo contrário, mas nos últimos tempos, a maturidade e as situações da vida me tornaram mais branda, mais condescendente.
Acho que cansei de brincar de casinha, de brincar de gente grande.

Está faltando muito de mim na minha vida. Eu, que nem sei onde fui parar.
Sei que essa acidez sou eu, querendo sair de mim mesma e ganhar o mundo.
Aquela mesma liberdade da qual sinto tanta falta.
Liberdade de mim...



*A vida é cheia de som e fúria: Peça teatral de Felipe Hirch, baseada no livro de Nick Hornby, Alta Fidelidade.

10.9.05

Dancing Queen



Todos buscam alguma coisa na vida.

Eu, o que sempre busquei foi a Liberdade. Liberdade com letra maiúscula, aquela que pode ser explicada pelos filósofos, mas que, na vida real, não tem espaço para existir. Então, se não posso ser Livre, danço.

A melhor forma que encontrei para exercer minha liberdade foi dançar. Dançar minha músicas favoritas, até o dia amanhecer. De olhos fechados, descalça, sentindo a vibração da música e das pessoas à minha volta, mesmo que não possa vê-las.

Hoje, é disso que sinto mais falta...

"As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
I get an electric charge from you
That second hand living it just won’t do

And the way I feel tonight
I could die and I wouldn’t mind
And there’s something going on inside
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I can’t stand up I can’t cool down
I can’t get my head off the ground

As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
And all I ever got from you
Was all I ever took from you

And the world could die in pain
And I wouldn’t feel no shame
And there’s nothing holding me to blame
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I’m taking myself to the dirty part of town
Where all my troubles can’t be found"

Head on - The Jesus and Mary Chain

6.9.05

Sangrar


Certa vez um Amigo me disse que eu perdia muito tempo sangrando, e não era capaz de aprender nada.
Eu discordei dele, pois esse foi o meu caminho de aprendizado.

É claro que ele sabia do que estava falando, pois me conhecia e sabia do meu processo de vida-morte.

Me fiz ao longo da vida com muito sangue.
Que foi necessário à minha reconstrução, um longo período de ferida aberta, de cicatrizes que sangram...

É como aquele tipo de pessoa que precisa de um corte, de algo que sangre, que doa. Para minimizar a dor de sua alma, para saber que está vivo.
Além disso, sou mulher. E vivo mensalmente o processo fisiológico da renovação.
As coisas são simples, em sua complexidade.
As mulheres sangram, os homens lutam, os hormônios comandam.

Resgatei meu caderno de anotações. Algumas coisas estão desatualizadas, pois dizem respeito a situações muito específicas.
Outras, estão tão vivas quanto sempre.
Apesar das transformações, continuo a mesma...

2.9.05

Amigos


Desde o advento do orkut, tenho pensado muito sobre a forma como administro minhas amizades. Melhor seria dizer como NÃO administro...
Na infância, tive duas amigas, melhores amigas.
Uma delas continua presente, a amizade passou por altos e baixos, mas sei que posso contar com ela.
A outra, nunca mais tive notícias depois da faculdade.
Na adolescência, foi a vez dos amigos. O que me causou uma série de contratempos afetivos, pois além da dificuldade de administrar uma amizade entre sexos opostos, e tudo o que isso acarreta, ainda tinha que administrar namorados ciumentos.

Posso contar nos dedos os amigos que mantenho há muito tempo.
Amizades de 20, 10, 5 anos.
Amigos do colégio, da faculdade, do bairro, do trabalho.
Pessoas que dividiram muitas coisas comigo, experiências, dores, alegrias e que, por algum motivo, se afastaram.

E minha grande questão é: Por que não consegui manter essas amizades?
Há pessoas por quem sinto um carinho enorme, gosto mesmo, sinto falta, mas a amizade parece que esfriou...
Tornaram-se "colegas", conhecidos, qualquer nome que se dê a quem não é tão próximo.

Na verdade, sei a resposta, apesar de não gostar dela.
As pessoas mudam, mudam seus interesses, se transformam ao longo da vida.
E aquela mesma pessoa que ontem era sua alma gêmea, hoje não tem mais nenhuma afinidade com você.

Eu mudei, apesar de continuar sendo a mesma neurótica de sempre. Meus interesses mudaram, meu estilo de vida mudou.
Poucos souberam lidar com isso. Eu mesma não soube.
Aliás, como nunca soube me postar no mundo, não sei me postar nas minhas relações.
Espero que os meus amigos entendam isso.
E me perdoem...

30.8.05

A sombra


- 1990 - recebi esse texto, fragmento de Nietzsche. Por muito tempo relacionei-o a alguém.
Hoje percebo que se adequa a mim. À minha eterna busca por mim mesma. A sombra de mim mesma, por nunca encontrar meu próprio caminho...

“Mas foi em teu encalço que mais longamente voei e corri e, se escondia-me de ti, era eu, no entanto, tua melhor sombra: onde quer que tu pousasse, pousei eu também.
Contigo vagueei pelos mundos mais frios e distantes, qual um fantasma a caminhar, por sua vontade, sobre telhados invernais e neve.
Contigo almejei por tudo que é proibido, pelo que há de pior, de mais remoto; e, se alguma virtude possuo, é a de que não temi nenhuma proibição.
Contigo destrocei tudo aquilo que, algum dia, meu coração venerara, derribei todos os marcos de fronteira e ídolos, deixei-me atrair pelos mais perigosos desejos – em verdade, não há delito sobre o qual eu não passasse uma vez.
Contigo desaprendi a fá nas palavras, nos valores e nos grandes nomes. Quando o Diabo muda de pele, não perde, com a pele velha, também o nome? Porque também esse é pele. O próprio Diabo talvez seja – pele.
‘Nada é verdade, tudo é permitido’: assim eu dizia, para animar-me. Nas mais gélidas águas me atirei, com a cabeça e o coração. Ah, quantas vezes não fiquei, por causa disso, nu e vermelho como um camarão!
Ah, onde foram parar todo o bem e todo o pudor e toda a fé nos bons! Ah, para onde foi aquela mendaz inocência que, antigamente, eu possuía, a inocência dos bons e de suas nobres mentiras!
Com demasiada freqüência, corri atrás da verdade, colado aos teus pés; e, então, ela pisou minha cabeça. Às vezes, eu pensava mentir e eis que, somente então, encontrava – a verdade.
Coisas demais se me tornaram claras; agora, nada mais me importa. Nada mais existe que eu ame – como ainda haveria de amar-me a mim mesmo?
‘Viver como me apraz ou não viver de todo’: assim quero, assim quer também o ser mais santo. Mas, ai de mim! Como posso ainda, eu, ter alguma coisa – que me apraza?
Tenho, eu, porventura – ainda um fito? Um porto para o qual ruma a minha vela?
Um bom vento? Ah, somente quem sabe para onde vai sabe, também, que vento é bom e favorável à sua navegação.
Que me restou, ainda? Um coração cansado e atrevido; uma vontade inconstante; asas de vôo rasteiro; um espinhaço partido.
Essa procura do meu lar – ó Zaratustra, tu bem o sabes, esta procura foi a minha provação; e me consome.
Onde está – o meu lar? Por ele pergunto e procuro e procurei e não o encontrei. Ó eterno por toda a parte, ó eterno em parte alguma, ó eterno – inutilmente!”

Assim Falou Zaratustra - Friedrich W. Nietzsche

24.8.05

I don't belong here...

Ainda sobre a questão de pertencer...
Como Clarice, não pertenço.
Não pertenço a instituições, clubes, tribos. Meu ser não cabe em algo que o delimite.

Mas, muito mais do que não pertencer, não me encaixo.
Não me encaixo nesse planeta maluco, onde as pessoas fazem mal umas às outras, com a melhor das intenções.
Nessa nova vida que escolhi para mim (já não posso mais culpar o mundo), percebo constantemente como as escolhas que faço não se adaptam ao que é socialmente referendado.

Sim, sou intelectual fútil, como já afirmei, mas mesmo do auge da minha futilidade, continuo achando que algumas coisas são importantes e deveriam ser discutidas, esclarecidas, exploradas, levadas em consideração.

Gosto de ensinar ao meu filho que o mundo depende de como agimos nele. Que devemos ser honestos, verdadeiros, sinceros.
Que não se deve brigar, jogar lixo na rua, maltratar quem quer que seja. Que cuidar do seu corpo é bom, comer bem faz bem e que carinho é a melhor coisa do mundo.
São situações cotidianas e não adianta apenas falar, é preciso ser exemplo.

Por isso tive que abrir mão do meu lado inconseqüente e prestar muita atenção às minhas atitudes, para que não conflitassem com as minhas palavras.
Não é fácil, confesso. Não existe perfeição e sou prá lá de imperfeita.

Mas durmo tranqüila sabendo que ele está aprendendo valores que, se não estão mais em uso, não deixaram de ser importantes .
Como ele vai usá-los, só o tempo vai dizer...

10.8.05

Clarice




Meu primeiro contato com Clarice Lispector foi em 1989, quando li, para a escola, A Hora da Estrela.
É claro que, naquela época, não pude compreender o texto em toda a sua extensão (aliás, acho que nem hoje consigo). Mas serviu para que eu gostasse muito dela.
Dez anos depois, encontrei esse texto na internet e iniciei minha amizade com essa autora fabulosa.
Conversamos muito, eu e Clarice, pois temos inúmeras afinidades e, principalmente, pelo fato dela expressar, em palavras, os véus que recobrem minha alma.

Pertencer (Fragmentos)
Clarice Lispector - A descoberta do mundo

"Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.

Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino.

Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.

Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.

Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho."

Hello, Stranger




Closer
Assisti ao filme num momento crítico. Preciso vê-lo novamente. Mas, do que pude absorver, ficou o seguinte...

“Love is an accident... waiting to happen”
Nunca se sabe o que pode acontecer. Você acha que fechou seu coração, que o amor nunca mais poderá machucá-lo e, quando menos espera, percebe-se sonhando de novo...

O velho sonho do amor eterno, utopia desde tempos imemoriais, que nos transporta na ânsia de concretizá-lo.

Ah, pobres corações humanos, tão iludidos...

“Desire is a stranger... you think you know”
O desejo, como instinto, se manifesta através dos sentidos e age através do inconsciente. Esteja preparado, porque ele pode pregar-lhe peças. Pode se instalar como uma voz suave nos seus ouvidos, que sussurra incessantemente que você deveria simplesmente render-se...


Ah, pobre corpos humanos, tão fracos...

“Intimacy is a lie... we tell ourselves”
Vive-se a eterna busca da entrega, mas seu instinto de sobrevivência não permite que você se mostre como realmente é. Na maioria das vezes, mostra o que pensa ser seu lado mais belo, mais aprazível. Para que o outro suporte que você exista em sua vida. Você esquece que os esqueletos permanecem no armário e que fantasmas assombram seus sonhos...


Ah, pobres almas humanas, tão imperfeitas...

"Truth is a game... you play to win”
A verdade é facilmente manipulável, em jogos de amor. Omissões são freqüentes, pois delas dependem que o ser amado continue acreditando em você. Com a melhor das intenções, você simplesmente esconde a verdade, camufla, e finge que tudo está bem.


Ah, pobres mentes humanas, tão mentirosas...

“If you believe in love at first sight... you never stop looking”
A sensação de estar apaixonado, tão bem descrita no restrito idioma anglo-saxão como “fall in love” é que nos move, é o que dá algum sentido à sua existência medíocre. Estando apaixonado, você percebe todas as possibilidades que a vida tem para lhe oferecer. Não estando, sua vida se torna autômata, repetitiva, vazia.
Você pode escolher se apaixonar todos os dias.
Pela mesma pessoa, ou não...


Ah, pobres humanos, tão egoístas...

7.8.05

ERIC WALKER




Algumas pessoas surgem inesperadamente em nossas vidas e animam nossas existências.
Tenho um amigo em especial, que é um desses seres iluminados.
É apenas um teenager, mas tem bom gosto, fala inglês e francês, adora moda e foi o responsável pela minha entrada no mundo dos shoppings centers.
Confidente de todas as horas, tem tiradas incríveis, como dizer que que sexo matinal é como Sucrilhos Kellog's: desperta o tigre em você!
Como ele mesmo disse, nossas conversas são como monólogos em dupla: cada um falando sobre suas coisas...
Sei que quando ele for um estilista internacional famoso, vai lembrar de mim e das nossas idas à Nave Mãe (leia-se: ZARA) e da nossa primeira coleção outono/inverno 2005:
AND THE REASON IS YOU...

I miss you honey

www.fotolog.net/ericwalker

2.8.05

Everything

Existem várias coisas que eu sei que são legais, mas não gosto muito. Alanis é uma delas. Não consigo necessariamente gostar, mas também não odeio.
Talvez precise conhecer mais, para tirar alguma conclusão.
Apesar disso, gosto muito dessa música Everything.
Gosto da melodia e da letra e hoje ela tem muito a ver comigo...

EVERYTHING

I can be a nightmare of the grandest kind

I can withhold like it's going out of style
I have the bravest heart that you've ever seen
And you've never met anyone who's as positive as I am sometimes

You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here

I blame everyone else, not my own partaking
My passive-aggressiveness can be devastating
I'm the most gorgeous woman that you've ever known
And you've never met anyone who's as everything as I am sometimes

You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here

What I resist, persists, and speaks louder than I know
What I resist, you love, no matter how low or high I go

You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here

And you're still here
And you're still here...


Para o Júlio, que ainda está aqui...

27.7.05

Anaïs Nin


Em minhas peregrinações pela internet, encontrei acidentalmente este texto de Anaïs Nin.
Não sei o texto é realmente dela, pois não pude consultar diretamente o livro, mas mesmo assim decidi postá-lo, pelo seu conteúdo, no mínimo, interessante.
Compartilho de sua visão pela arte a acrescento ainda que a arte está morrendo uma morte anunciada.
Sobre isso escreverei mais tarde...


"Sinto-me particularmente emocionada pela distinção que me é conferida por esta universidade, porque sempre me acusaram de ser em favor do artista. Não só me tornei num deles, como também aprendi e fui convencida que muito provavelmente o único mágico que temos é o artista. Foi James Joyce que disse, que a história era um pesadelo do qual temos esperança de conseguir acordar. Gostaria de vos contar, de que forma começaram o meu amor e intuição sobre os poderes mágicos da arte.
O meu pai e a minha mãe passavam a vida a discutir mas, quando chegava a hora da música, a paz instalava-se, a minha mãe cantava maravilhosamente, o meu pai tocava piano e sons de instrumentos de corda invadiam a casa toda e, nós as crianças, pensávamos: começou a magia, tudo é paz e beleza. Pelo que me diz respeito, aprendi muito cedo na vida que a música tem o poder de transformar, transfigurar, conferir beleza a um conflito.
Quando tinha dezesseis anos e me tornei modelo de um pintor, enquanto as jovens à minha volta se enfastiavam e olhavam para os relógios, eu aprendia coisas sobre a cor com os pintores. Mais tarde, aprendi a importância das imagens que terminei por utilizar constantemente no que escrevo, como se me chegassem por meio de sonhos, uma forma de pensar que nenhum tipo de vida moderna conseguiu ainda erradicar.
Enquanto escritora não tive outra ambição que não fosse transpor para a escrita todas as formas passíveis de expressar arte: na minha perspectiva, qualquer forma de arte deve alimentar a outra, cada uma pode sempre dar um contributo a outra. Foi assim que transpus para a escrita o que aprendi com a dança, a música, o design, a arquitectura. Em cada uma dessas formas de arte havia qualquer coisa que eu queria incluir na minha escrita, da mesma forma que queria que a escrita, a escrita poética, as englobasse a todas. Isto porque sempre considerei a arte não apenas como um bálsamo, um consolo mas, também, como referi anteriormente, como uma forma de magia suprema que está contida nalgumas palavras, as quais sempre recomendei aos alunos que escrevessem numa grande folha de papel que trariam consigo todos os dias. Todas elas eram palavras que continham o prefixo trans: cender, transmutar, transformar, transpor, transfigurar. Para mim, todos os actos da criação estavam contidos nessas palavras e, achava que fosse o que fosse que nos acontecesse, teríamos que encontrar a força, a harmonia, uma síntese que nos ajudasse a viver e que funcionasse como um núcleo protector contra acontecimentos externos e todo o tipo de experiências destrutivas. Sempre utilizei a arte como uma forma de me reconstruir. Estas são as razões pelas quais sempre fui em favor do artista, porque com ele aprendi que é possível criar a partir do nada.
Aprendi com Varda a fazer colagens com pedacinhos de tecido; na verdade, ele obrigou-me a cortar o forro do meu casaco para fazer uma colagem e, não há dúvidas que era muito mais bonito como colagem do que quando era o forro do meu casaco. Aprendi com Tinguely que era possível ir a uma sucata e fazer sátira a partir de uma máquina.....o poder de criar a partir do nada. Sentir que, por exemplo, nos dias em que estamos deprimidos em Nova Iorque, podemos ir até ao Metropolitan Museum of Art e contemplar “O Sol” de Lippold. Alguns de vós devem tê-lo visto; ocupa a sala inteira; ainda é mais radiante que o nosso sol ao natural. E, o simples facto de estar ali sentada a olhar para o sol de Lippold, faz com que a minha melancolia se dissipe. É por esse motivo que considero o artista como um mágico, porque possui em si próprio as anti-toxinas. Quando nos sentimos destroçados ou num estado de desespero ou tristeza em relação a tudo o que acontece lá fora, ser capaz de criar qualquer coisa a partir do barro, do vidro, de pedacinhos de um material qualquer, sucata, a partir de qualquer coisa, prova que o homem tem em si o poder de criar. Contudo, a História só me mostrou a luta pelo poder, pela posse. Na vida do artista, verifiquei que este tinha que ser uma pessoa dedicada, que não estava certo de quaisquer recompensas, que teria que esperar, que lhe estava reservada a mais difícil de todas as tarefas que é (nas palavras de Otto Rank), manter em equilíbrio os nossos dois desejos – o primeiro, não nos afastarmos dos outros; o segundo, criar qualquer coisa que nos possa alienar em relação à nossa cultura. O artista é aquele que tem de correr o risco da alienação, como eu corri durante muitos anos porque escrevia coisas que não faziam parte da “moda”, naquela altura. Tive que aguardar durante muitos anos até que se instalasse a sincronia entre os sentimentos desta geração e as suas atitudes e valores. Esta espera é muito difícil e sei que muitos escritores estarão a ela sujeitos. Precisarão de se dividir em dois: por um lado, para perceber e ser o reflexo da sua cultura, por outro, para conseguir ver para além dela. E, é nesse preciso momento, que começam a construir o nosso futuro, o futuro da arquitectura ou o futuro da música. É nestes momentos difíceis que às vezes os repudiamos ou os menosprezamos ou os tratamos com enorme indiferença. Por isso, sinto que o artista tem o poder de criar e que esse é um poder mágico, que pode transformar, transfigurar, transpor e transmitir a outros.
Gaston Bachelard, o filósofo francês, disse uma coisa muito comovente. Disse que, por vezes, pensa que o que o maior sofrimento que os outros nos infligem é o silêncio: o silêncio que envolve os nossos actos, os nossos relacionamentos, as coisas que não podemos dizer ou que não podemos contar aos outros. Houve momentos na América em que tive medo que as pessoas tivessem decidido não voltar a ler, nunca mais voltar a depender da literatura ou sequer conversar. Fiquei verdadeiramente preocupada até ter percebido que não era contra o conversar que as pessoas se insurgiam mas sim contra um tagarelar sem sentido; aquilo que rejeitavam era um tipo de literatura que não lhes oferecia a vida mas abstracções. Por essa razão, para que o romance não morresse, para que a escrita não morresse, tivemos que regressar às fontes da vida, o que quer dizer à biografia, o que significa basear tudo o que acontece em factos verídicos, não esquecendo, contudo, que a arte se encarrega depois de transformar esta verdade, de a transmutar em poesia. E é a poesia que nos vai ensinar a levitar. É isso que o poeta nos ensina, a levitar.
Bachelard também disse que o que o poeta fez foi tornar possível a nossa crença no mundo, o nosso amor pelo mundo e a possibilidade de o criar. Pela minha parte, acredito nisto firmemente, porque quando comecei a criar os Diários desconhecia que estava a criar um mundo que era uma antítese do mundo que me rodeava e, que eu rejeitava, onde só havia dor, guerras e inúmeras dificuldades. Eu estava a criar o mundo que eu queria ter e, para esse mundo, uma vez criado, convidam-se outros, aqueles que têm afinidades connosco. Então, transforma-se num universo, já não é um mundo privado mas qualquer coisa que transcende o pessoal e dá origem a esse elo de ligação. Bachelard diz que nós sofremos com o silêncio; o que os Diários fizeram foi falar e, depois, foi a vossa vez de falarem comigo....Desta forma o elo universal pode ser criado por cada um dos artistas se estiverem dispostos a voltar-se para a sua criação individual e não tiverem medo de ignorar a moda ou as directivas vigentes.
Quando o artista envereda por um caminho, no início esse caminho afigura-se-lhe solitário mas, mesmo assim, atreve-se a prossegui-lo. Essa ousadia e esse espírito de aventura são muito importantes. Mesmo quando comecei a escrever um diário, já estava a admitir que a vida seria mais tolerável se a encarasse como uma aventura ou um conto. Eu contava a mim própria a história de uma vida e isso transforma em aventura as coisas que nos destroem. A aventura é a viagem mítica que todos temos que fazer, a viagem ao nosso interior, a viagem que na literatura clássica nos leva através de um labirinto. É então que começamos a olhar para aquilo que nos acontece como desafios à nossa coragem – com isto não quero dizer que todos tenhamos que ser heróis – apenas, que todos temos que fazer a viagem e acreditar que seremos capazes de encontrar a saída do labirinto. "
-- Anaïs Nin --


Extracto do Diário de Anais Nin, Volume nº 7, 1966-1974, pág. 264

24.7.05

O mundo é um belo lugar para se viver

1990 - Meu primeiro contato com a boa literatura. Alguns textos são meus preferidos até hoje.
Esse é um deles.

The World Is a Beautiful Place
by Lawrence Ferlinghetti

The world is a beautiful placeto be born into
if you don't mind happiness
not always being
so very much fun
if you don't mind a touch of hell
now and then
just when everything is fine
because even in heaven
they don't sing
all the time
The world is a beautiful place
to be born into
if you don't mind some people dying
all the time
or maybe only starving
some of the time
which isn't half bad
if it isn't you
Oh the world is a beautiful place
to be born into
if you don't much mind
a few dead minds
in the higher places
or a bomb or two
now and then
in your upturned faces
or such other improprieties
as our Name Brand society
is prey to
with its men of distinction
and its men of extinction
and its priests
and other patrolmen
and its various segregations
and congressional investigations
and other constipations
that our fool flesh
is heir to
Yes the world is the best place of all
for a lot of such things as making the fun scene
and making the love scene
and making the sad scene
and singing low songs and having inspirations
and walking around
looking at everything
and smelling flowers
and goosing statues
and even thinking
and kissing people and
making babies and wearing pants
and waving hats and
dancing
and going swimming in rivers
on picnics
in the middle of the summer
and just generally
'living it up'
Yes but then right in the middle of it comes the smiling
mortician

Ian



1989 - Emprestei uma fita do meu primo: Joy Division, Clash, Bauhaus, Echo...
Não preciso dizer que mudei minha vida e meu gosto musical.


Confusion in her eyes that said it all
She’s lost control
And she’s clinging to the nearest passer by
She’s lost control
And she gave away the secrets of her past
And said I’ve lost control again
And a voice that told her when and where to act
She said I’ve lost control again
And she turned to me and took me by the hand and said
I’ve lost control again
And how I’ll never know just why or understand
She said I’ve lost control again
And she screamed out kicking on her side and said
I’ve lost control again
And seized up on the floor
I thought she’d die
She said I’ve lost control
She’s lost control again
She’s lost control
She’s lost control again
She’s lost control
Well I had to ’phone her friend to state her case
And say she’s lost control again
And she showed up all the errors and mistakes
And said I’ve lost control again
But she expressed herself in many different ways
Until she lost control again
And walked upon the edge of no escape
And laughed I’ve lost control
She’s lost control again
She’s lost control
She’s lost control again
She’s lost control
I could live a little better with the myths and the lies
When the darkness broke in, I just broke down and cried
I could live a little in a wider line
When the change is gone, when the urge is gone
To lose control. When here we come.

She's lost control - Joy Division

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Blogs

Eu sou uma mulher independente, inteligente e costumo ter habilidade para fazer várias coisas. Infelizmente, lidar com a Internet e com a porcaria do meu Cable Modem, que nunca funciona direito, acho que são coisas que terei que deixar para a próxima encarnação.
Perdi o último post, então este será uma versão resumida do mesmo, afinal, já estou sem paciência para lutar com a Caixa Branca e escrever tudo de novo.
Na verdade, gostaria apenas de compartilhar alguns blogs que eu acho interessantes.
É claro que começo com o Mademoiselle Passion, da minha grande amiga Crazy Feellings, que fala sobre nossas aventuras (e às vezes desventuras) pela vida afora.
Tem também o Pontispopuli, do meu amigo virtual Alisson Wittgenstein, que, assim como eu, está esperando que a Nave Mãe venha buscá-lo.
Alguns outros são o Não Discuto, que descobri através do fanzine do Luiz, de Porto Alegre.
E, é claro, o Registro Dissonante, do Renato Thibes (criador da Teoria Pedestáltica). Ele parece ser meio babaca, mas tenho que dar crédito à sua pessoa, afinal, com um gosto musical tão bom, não pode ser de todo ruim.
E tem a página do fanzine do Luiz, que diz como conseguir os exemplares do zine.
O bom de tudo isso é ver que existe vida inteligente na Internet, além das superficialidades adolescentes. E saber que as pessoas ainda produzem coisas criativas, longe da mediocridade e lugar comum que imperam no nosso mundinho.

Quanto a mim, depois da tempestade vem o Bonanza...
Assim que este momento apocalíptico passar, devo escrever alguma coisa.


www.mademoisellepassion.blogspot.com
www.pontispopuli.blogspot.com
www.nãodiscuto.blogger.com.br
www.registrodissonante.blogspot.com
www.luizzine.com.br

Intelectual Fútil

Ai, que vidinha essa...
Vivendo de rendas, algumas aulas na semana, ponte aérea Rio-Ctba, vários livros de Teoria Política, queimando dinheiro no shopping...
Baladas só de vez em quando, (porque sou uma mulher séria), mas vezes suficientes para me manter uma excelente bebedora de Tequila.
Preciso arrumar um boteco decente para freqüentar. Daqueles que vc conhece o dono, o cara te chama pelo nome e sabe o que vc quer beber, só de te olhar...
Esse tipo de boteco está desaparecendo, assim como os seus freqüentadores.
Hoje o que se vê é uma fauna e flora muito profícua de espécimes estranhas, gente feia e mal vestida, burra e que não sabe beber...
Aí não há tequila que dê jeito.
Eu, que sou linda e sofisticada, continuo apenas observando, sem me misturar...


"We know you are soft cause we’ve all seen you dancing We know you are hard cause we all saw you drinking from noon until noon again" Belle and Sebastian


Esperando a Nave Mãe

Você já teve a sensação de que não pertence à esse planeta, ou à esse tempo em que vive?
Eu também, me sinto deslocada no tempo e no espaço.
Mas apesar desse entranhamento, busco viver na realidade que me é possível e procuro evitar de pensar muito sobre o por quê dessa sensação.
Conheço algumas pessoas especiais que compartilham desse sentimento e elas me fazem um pouco mais feliz...
No mais, vou tentando me adaptar à um mundo do qual não faço parte.


"Aquele cujo não rosto não se ilumina jamais há de ser uma estrela" William Blake

Eu mesma

Não espere coerência, nem concordância.
Meu ser não abarca conceitos, nem rótulos, nem definições.
Sou resultado da subjetividade da alma feminina, com vários toques de inconstância, impaciência e uma dose gigantesca de amor.
Minha existência é um mar de contradições e, se cheguei até aqui, foi por pura teimosia. Como Pessoa, tive em mim todos os sonhos do mundo. A maioria deles, no entanto, ficou pela entrada, em algum butiquim...
Muitas considerações a fazer, só não sei se terei vontade de fazê-las.
Se não, vou compartilhar textos que eu gosto, que me fizeram durante a vida. A todos, desejo uma boa jornada...

Here at Tiffany's



Because here at Tiffany's only good things happens... Posted by Picasa