17.5.11

Mães e Vadias



Depois da introspecção da gravidez e da maternagem, a indignação me arranca do conforto do meu sling e traz à tona a vontade de gritar!

Estou totalmente off do mundo real e concreto. Não leio jornal, não assisto televisão, não faço a mínima questão de saber o que acontece na pequenês do mundinho pequeno burgês que nos cerca.

Mas, como adoro meus amigos, me mantenho perto deles pelas redes sociais.
E é através delas que me situo nos acontecimentos do universo.

Nos últimos tempos, as postagens do meu irmão Alisson têm colocado em voga os assuntos mais estapafúrdios do concreto, entre eles um texto sobre mulheres estupráveis.

Li, me indignei, mas passou... Foi só um susto!

De repente, uma ex-aluna posta a notícia da slutwalk de Toronto...

E na semana seguinte ocorre o Mamaço...

Talvez seja apenas na minha cabeça maluca que essas coisas tenham um ponto de junção, mas, nichos à parte, o debate deveria, em todos os casos, começar pela pauta do corpo feminino (o que é, para que serve, como é usado, quem cuida, quem manda...).

Responsabilizar a mulher pelo uso que o outro faz de seu corpo (no caso do estupro) é abandonar todo o traço de civilização e voltar para a pura barbárie.

Imputar à fêmea lactante um caráter sexual é perverter a essência da maternidade e impôr um viés sexual a um ato de amor.

É claro que a discussão não se esgota nesses parcos e pobres argumentos, mas o problema é exatamente esse: no universo dos nichos, feministas e mães representam aspectos díspares da questão de gênero e a mobilização pelo direito (supremo, eu diria, plafletariamente) da mulher ser dona de seu corpo (e a única dona) e dele fazer o uso ou a exposição que bem lhe aprouver se esvazia e perde a pujança, pois são apenas alguns pequenos grupos de indivíduos com uma agenda bem específica que se manifestam em prol de um direito limitado ao nicho em questão.

O estar no mundo me impele a mergulhar de cabeça na doideira das relações sociais. Odeio.

Mas não consigo mais me abster, sentadinha no conforto do meu lar...

Minha natureza subversiva, anárquica e inconformada, eu diria, me obriga a pelo menos expressar minha indignação.

Então, além de reativar o blog, criei um grupo de pesquisa e estou produzindo um artigo, sobre esse mundo louco em que  mães e vadias não percebem que são apenas mulheres: submetidas, subjugadas, controladas, cerceadas, monitoradas...

30.1.11

Atualizando

Neste hiato temporal toda a minha vida mudou...

Engravidei, mudei de função no emprego, estive reclusa e introspectiva. Vivi a maternagem por quase um ano.

Agora estou de volta, eu mesma, cada vez mais diferente, mas sempre a mesma...

Os próximos posts serão uma retorspectiva de tudo isso....

26.3.09

Ainda sobre o show...

Você percebe que está velho quando:

- Vai à um show do Radiohead e todo mundo está lá para ver Los Hermanos.
- Ninguém conhece o Kraftwerk e, quando vê o show, que foi do caralho, acha uma bosta.
- Você se prepara pra entrar no meio da galera, ficar tipo tomando porrada na frente do palco, e nem consegue chegar lá, porque as pessoas estão absolutamente paradas (como se tivessem reservado aquele lugar) e reclamando que tá apertado, e quente e essas frescuras (num lugar que era aberto e ainda estava garoando, pra refrescar).

Passado o show, que foi como um sonho, fica a constatação de que as pessoas são um bando de imbecis mesmo.
Folheando a net, enquanto procurava imagens para postar aqui, vi considerações sobre o show e sobre a vontade de "ver e ser visto".
Aí você entende porque ficava todo mundo andando de um lado pro outro, tipo passeando mesmo, ao invés de ver a porra do show.
Por que as pessoas insistiam em ficar conversando os assuntos mais nada a ver, ao invés de ver a porra do show.

E por aí vai...
Peço desculpas pelo linguajar inapropriado, mas a volta às origens de mim mesma está repercutindo e me obrigando a abandonar, ainda que momentaneamente, o madito politicamente-correto...

Em tempo, acabei de ler a crítica dos shows e um arquiteto comentou, sobre o Radiohead, usando uma referência que é totalmente minha:

"Um soco no estômago"

25.3.09

Breathe, keep breathig

1993: ligo a falecida rádio Estação Primeira e escuto: Creep - Radiohead.
Milhares de anos luz depois me vejo frente à um jogo de luz surreal e sinto a dor em cada grito, em cada distorção.
Não sou capaz de tecer comentários inteligentes ou realizar paráfrases musicais sobre os caras.
Li montes de blogs que fizeram isso.
Sou capaz apenas de falar de mim e de minha inoportuna existência.
Esses caras fazem parte de quem eu sou, não por terem descrito minha alma, ou por serem músicos virtuosos.
Fazem parte de mim porque a partir do momento em que declararam ao mundo: I don't belong here... me fizeram sentir que alguém mais estava esperando a nave mãe.
Sim, o show (com todo o processo de viagem, los hermanos e gente imbecil) foi medonho. Mas ver os caras, mesmo sem lembrar de metade das músicas, foi um experiência e tanto.
Explico: nos últimos anos, estou me forçando para viver uma vidinha minimamente feliz e decente e, por isso, deixei minha coleção de cd's depressivos-infelizes-quero-me-jogar-pela-janela de lado.
Resultado: fiquei lá, chorando sem parar, literalmente afogada em lágrimas, tentando me achar dentro mim...
É claro que bastou ouvir a voz do Thom Yorke para o mundo desandar.

Quando me perguntam como foi o show, digo: estranho, de um jeito bom.
Estranho... como eu.

Ainda estou sob o efeito, e presenciando as consequências...

Sabe-Deus no que isso vai dar...

18.3.09

Sapatos

- Estou partindo.
- Tenho 243 anos e estou partindo. Encontrei esses sapatos incríveis em uma lojinha na Toscana e comprei o suficiente para vida toda...
- E esse é o último par.





Emprestado de: "A Loja Mágica de Brinquedos"

13.3.09

Drinks e Afins


Afinal, na receita original de Margarita, vai curaçau blue ou não?
Tive uma dessas discussões super importantes para o futuro da humanidade, numa dessas últimas noites etílicas.
Sim, voltei à vida boêmia, e voltei com tudo...
Depois de reuniões caseiras que não levam a lugar algum, apesar de aproximar os amigos, resolvi sair da bolha e viver um pouco.
Do meu jeito, é claro, o que significa muita botecagem...
O calor fez com que abandonasse momentaneamente minha tradicional dose de tequila na taça e passasse para a Margarita...
A frozen é perfeita, até o momento em que você sente que vai infartar...
Um amigo comentou que essa é uma reação comum.
A normal é boa e o salzinho ajuda a levantar a pressão...
A com curaçau é horrível, e o último gole é sempre um sofrimento, pois o drink já esquentou e só resta o gosto de remédio.
Mas o efeito é o que importa... sim, os sóbrios que me desculpem, mas a embriaguez é fundamental.
Agora um cometário inteligente: ao anular a ação tolhedora do superego, o álcool nos permite uma certa liberdade, que normalmente vem acompanhada de grandes atos falhos...
Essas são as melhores lembanças, as mais engraçadas: todos os vexames impensáveis que cometemos em momentos de grande teor alcóolico.

12.3.09

Gritando



Ainda dentro da mesma linha de pensamento, meu ser precisa sangrar, precisa de grandes cicatrizes abertas, doendo...
Recentemente me livrei da dependência de analgésicos e, diferentemente do esperado, mais do que alívio, senti o vazio...
O vazio de um existir sem nexo, sem propósito, sem sentido...
Para deixar de lado o velho hábito de cortar os pulsos, optei pela possibilidade de dançar...
Funciona, na maioria das vezes...
Quando não, apenas grito, incessantemente, por dias e dias a fio.
Aquele grito mudo dos desesperados e impotentes que nada podem fazer com sua própria existência.
A insustentável leveza do ser, poderia dizer. Não o livro, mas apenas a imagem de que o lado leve da vida representa quase sempre um chute na boca...
Comigo, as coisas simplesmente são assim...